RASIF - Mar que Arrebenta

Este é o meu segundo livro publicado pela Editora Record. Nele, reuni 17 contos, que chamo de "cirandas, cirandinhas", em que revisito a origem árabe do nome "Recife" e também a origem de Pernambuco que, no tupi-guarani, significa "onde o mar arrebenta". São histórias de final de mundo, digamos. Mas, de uma certa forma, munidas (algumas dessas histórias) de disfarçada esperança. Para a edição, convidei o artista paulistano Manu Maltez, cujas gravuras ambientaram, com talento e precisão, os personagens nesta "cidade" que recriei.

Leia, abaixo, alguns comentários sobre "RASIF":

Rasif indica um autor de carreira formada e obra amadurecida. [...] Sua prosa não tem apenas a cadência e as rimas do rap-repente. Trata-se de uma musicalidade cuja alma está nas músicas populares das antigas, os bregas dos bons, que tantas vezes nos contam histórias de amor.
Cristhiano Aguiar, Revista Continente

Dezessete contos, ou melhor, “cirandas, cirandinhas” (assim o autor as nomeou no índice) compõem Rasif, um desnorteio de ritmos bem traduzido na linguagem lírica e ríspida, dura e sutil, bela e grotesca, deste autor que embaralha ainda mais os limites da narração.
Eduardo Araújo Teixeira, Site Cronópios

Os contos de Marcelino Freire em Rasif não se prestam ao limite do papel. Assentam mal, parecem não pertencer à classe da literatura que se imprime impunemente em nossos dias. Inquietantes, vertem sangue, dançam, batucam, aspiram o trânsito, o salto para fora do objeto-livro que os contêm.
Eduardo Araújo Teixeira, idem

Em Rasif, Marcelino Freire prossegue na abordagem particular acerca do "mundo cão", com lances de inteligente antilirismo. [...] Preste atenção nos textos mais longos, como no conto "Roupa Suja", em que Freire alia sua velocidade, seu coloquialismo, sua prosa curta-e-grossa para construir uma bela e vívida personagem urbana.
Helio Ponciano, Revista Bravo!

Marcelino Freire só não sucumbe ao inferno de personagens que carrega, eu penso, porque lê em voz alta. Quando lemos seus livros, como o recém-lançado Rasif - Mar que Arrebenta, feroz coletânea de contos, também de nós se exige coragem. Críticos insensíveis já qualificaram a literatura de Marcelino de grosseira, de indecente, de primitiva. Eles confundiram as vozes dos personagens com a fala de seu autor. É preciso ter força para lidar com tanta raiva, tantos palavrões, tanta fúria. Só com delicadeza se consegue editá-los, de forma que os aceitemos e possamos deles nos aproximar.
José Castello, Jornal O Globo

A escrita de Marcelino é entrecortada, ofegante, ritmada. Tem fôlego curto, de martelo, e é interrompida por refrões. Essas repetições não só lhe marcam o ritmo - como faz um atabaque -, mas lhe sopram vida. Prosa dançante, a ficção de Marcelino Freire parece fácil, mas exige do leitor o compromisso mais difícil: com o estranho. [...] É para fisgar o grito horrendo de um mundo doente que Marcelino Freire escreve. Som aflitivo, que às vezes nos leva a rir de desespero, outra nos comove. Para Marcelino, como para os poetas, a literatura é uma luta. Combate para acolher gemidos e conferir sentido a um real despedaçado.
José Castello, idem

Em Rasif, Marcelino Freire brinca com as palavras com maestria. [...] O autor tem um estilo marcante e agradável de escrever prosa como se fizesse poesia. E desse exercício, do qual virou mestre, saem pérolas, com teor de crítica social e até humor, como no conto "Da Paz".
Marina Monzillo, IstoÉ Gente

Em Rasif, Freire lapida, ainda mais, o contorno que dá à palavra. Aliás, na narrativa deste autor, a palavra é mínima, fugidia, trepidante.
Regina Ribeiro, Jornal O Povo

Os contos de Rasif trazem de volta os personagens desajustados e/ou explorados e a linguagem simultaneamente enxuta e poética dos trabalhos anteriores. Marcelino Freire aprimora, também, uma de suas maiores qualidades: articular um efeito de deslocamento capaz de quebrar o consenso vigente sobre tal ou qual assunto.
Renato L, Diário de Pernambuco

Marcelino Freire renova o desespero.
Schneider Carpeggiani, Jornal do Commercio

A literatura de Marcelino entra com Rasif num processo de o mínimo ser o novo máximo. [...] A literatura de Marcelino parece nascida para o diálogo. É o caso das gravuras do artista plástico Manu Maltez, que acaba sendo uma espécie de co-autor da obra.
Schneider Carpeggiani, idem

No quarto livro de contos de Marcelino Freire, o primeiro depois do Jabuti, o estilo objetivo e direto permanece rasgado. Assim como em Contos Negreiros, o escritor fala de excluídos, mas sem nenhum tom panfletário, o que há é sarcasmo, ironia.
Sheyla Azevedo, Diário de Natal